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Na freguesia de Moreira, a Casa de Mestre Albino José Moreira preserva a memória de uma das figuras mais singulares da cultura e da arte maiata: Albino José Moreira (1895–1994), conhecido popularmente como Albino Barbeiro.
Nascido a 1 de agosto de 1895, no lugar de Pedras Rubras, Albino José Moreira teve uma infância e juventude marcadas pelo trabalho e pelas atividades da comunidade local. Filho de barbeiro, aprendeu desde cedo o ofício do pai, que esteve na origem da alcunha pela qual viria a ser conhecido.
A sua vida profissional foi, contudo, muito além da barbearia. Trabalhou como funileiro, picheleiro e eletricista, chegando a criar uma pequena empresa de distribuição de eletricidade em algumas freguesias de Vila do Conde. Paralelamente, desenvolveu uma forte ligação às artes, aproximando-se do teatro e tornando-se cenógrafo, atividade que o tornou conhecido entre os grupos dramáticos da região.
Foi já numa idade avançada, no início da década de 1970, que se dedicou de forma mais intensa à pintura. Em 1972, participou num concurso promovido pelo então Secretariado Nacional de Informação (SNI), onde foi premiado e integrado no universo dos artistas naïf ou primitivos modernos.
A partir daí, a sua obra ganhou crescente reconhecimento, com participação em exposições individuais e coletivas, incluindo exposições na Galeria do Casino Estoril, no II Salão Ibérico de Pintura Naïve, no Salão do Outono e na Casa da Imprensa.
A importância de Albino Barbeiro ultrapassa o reconhecimento artístico. A sua pintura constitui um verdadeiro registo visual da Maia do seu tempo.
Com uma memória particularmente apurada e através de cores vivas e composição espontânea, representou usos, costumes, tradições, festas, feiras, romarias, paisagens, monumentos e personagens da vida quotidiana. As suas telas conservaram imagens de uma Maia rural que entretanto se transformou profundamente.
A sua obra pode, por isso, ser entendida como uma espécie de memória fotográfica da ruralidade maiata, permitindo conhecer através da pintura espaços e modos de vida que fazem parte da história e da identidade do concelho.
O crítico Michael Tannock descreveu a sua pintura como uma representação ingénua, mas expressiva e de forte carácter popular, dedicada sobretudo a paisagens, eiras, festas, feiras e romarias.
Albino José Moreira faleceu a 3 de maio de 1994, deixando uma obra de grande importância para a preservação da memória cultural da Maia.
A própria Casa de Mestre Albino José Moreira reflete a personalidade e o universo do artista.
A fachada conserva diversos elementos que lhe conferem uma identidade muito particular: o nicho destinado à imagem do santo protetor, os bancos de pedra junto às portas de entrada, tradicionalmente utilizados pelos moradores e por quem passava pelo local, e o painel de azulejos pintados alusivo ao lugar.
As portadas vermelhas gradeadas, no piso superior, completam a composição da fachada e contribuem para o caráter distintivo do edifício.
Situada num espaço que durante décadas esteve ligado à dinâmica da Feira de Pedras Rubras, a casa permite estabelecer uma relação direta entre o artista, a comunidade e o território que tantas vezes representou nas suas telas.
Visitar a Casa de Mestre Albino José Moreira é, assim, conhecer não apenas a casa de um pintor, mas também uma parte da memória artística, social e rural da Maia.
Um lugar onde a vida de um artista se cruza com a memória de uma Maia que Albino Barbeiro soube guardar em pintura.
Morada
Rua de Pedras Rubras, 14, 4470 Maia
Contactos
229 421 013