É possível que já não nos lembremos das rosas fanadas ao espaço comum onde ainda tivéssemos a possibilidade de desfrutar a alegria simples de nos olharmos de frente e mimosear o prazer de umas boas horas de camaradagem, libertos do fardo dos afazeres mesquinhos que nos atravessam a vida. É possível que tenhamos invertido os pólos ao mecanismo das utopias herdadas de mulheres, homens e crianças que nos ensinaram dos sonhos o comando da vida. É possível que os sonhos se atrasam, quando não se adiam, porque o tempo já nada pergunta ao tempo, já que tempo simplesmente deixou de haver. É mesmo possível que nada seja impossível e que só andamos um pouco distraídos, doloridos, amestrados em demasia para realizarmos a amplitude de todas as possibilidades esquecidas, guardadas no baú do medo ou das esperanças vãs. Só não deveria ser possível o conformismo, a desistência, ou pior ainda, o horror.
No Fazer A Festa, não o aceitamos sem dele escarnecer, sem o espírito de contrariedade que nos define o carácter quando se trata de parti-lo aos bocados e soprá-lo para as lonjuras do demo.
Aqui, onde a festa se faz, o sonho é fermento, é bola colorida em mãos de tantas crianças. Aqui não se aprendeu da desistência palavras que a ordenam. Aqui, procura-se a mão pequenina que aprende cedo a sementeira, a graúda que lhe há-de fazer a rega, o espanto que verá nascer a flor que não poderá ser fanada por dá cá aquela palha, muito menos por falta de cuidados.
Para se Fazer A Festa, toda a gente é necessária. Venham todas as amizades e tragam outros amigos também.