Memorial D. Pedro IV | A ideia que nasceu da história e ganhou forma em pedra
Inaugurado a 1 de março de 2026 | Praça do Exército Libertador, Moreira da Maia
Não se quis uma estátua equestre. Nem um retrato clássico. O Memorial a D. Pedro IV nasce de uma decisão clara: criar uma peça evocativa, contemporânea, que traduzisse um momento estratégico da História e dialogasse com o espaço urbano da Maia.
A autoria é do Mestre Escultor Ilídio Fontes, natural de Milheirós, com um percurso consolidado na arte pública e reconhecido por diversas obras no Norte e Centro do país. O projeto enquadra-se na requalificação urbana da Praça do Exército Libertador e na intenção municipal de dar nova dimensão simbólica à memória do desembarque liberal de 8 de julho de 1832.
O conceito afasta-se da ideia de “estátua heroica”. O foco está na humanização do momento anterior à batalha. A peça evoca a preparação estratégica do desembarque em Pampelido e a presença do Batalhão de Caçadores n.º 5, que montou acampamento em Pedras Rubras. Não se celebra apenas o Rei-Imperador. Celebra-se a ação coletiva.
A composição organiza-se em dois braços murais em granito do Norte, criando um “pano de fundo” escultórico. A base integra areia, numa referência simbólica à Praia da Memória. No conjunto, surgem figuras inteiras em bronze e um painel em alto-relevo. D. Pedro IV aponta em direção ao Porto, enquanto os seis militares perfilados representam o Batalhão de Caçadores n.º 5. A orientação geométrica da peça relaciona-se com dois pontos históricos: a Praia do Desembarque e a Praça da Batalha, no Porto.
O memorial articula materiais duráveis e técnicas tradicionais com execução contemporânea, incluindo letras incisas a laser e elementos metálicos em latão patinado. A linguagem é clara, acessível, simbólica e evita excessos formais ou leitura hermética.
Mais do que um objeto isolado, a obra foi pensada como elemento estruturante do espaço público. Um marco urbano que reforça identidade, memória e pertença. Um ponto de pausa na paisagem quotidiana.
Neste caso, a arte não ilustra apenas a História. Dá-lhe corpo e permanência.
Veja o vídeo sobre a criação deste memorial.